segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Sonhos são interpretados pelo cèrebro como atividades reais




Título original: Dreamed Movement Elicits Activation in the Sensorimotor Cortex
Quem fez: Martin Dresler e Michael Czisch
Instituição: Instituto Max Planck, na Alemanha
Dados de amostragem: Seis pessoas treinadas para terem sonhos lúcidos
Resultado: Ações realizadas durante um sonho são interpretadas pelo cérebro como uma atividade executada enquanto se está acordado
Quando alguém sonha que está caindo, voando, dançando ou mergulhando a sensação é sempre real. O que os cientistas descobriram agora é que o cérebro responde a esses estímulos como se eles estivessem sendo executados enquanto uma pessoa está acordada. Segundo um estudo conduzido por Martin Dresler e Michael Czisch, neurocientistas do Instituto Max Planck, na Alemanha, áreas do cérebro que representam movimentos específicos são ativadas durante os sonhos.
Os pesquisadores utilizaram técnicas de imagens, como ressonância magnética, para “assistir” ao que os voluntários faziam durante o sono. Para conseguir avaliar esses estímulos ao longo da experiência, eles escolheram seis sonhadores lúcidos treinados, ou seja, pessoas que conseguem controlar suas ações nesse estado.
Dresler e Czisch escanearam os cérebros dos voluntários enquanto eles movimentavam as mãos esquerda e direita durante o sonho lúcido. Eles observaram, então, que o registro de atividade neural no córtex sensório-motor do cérebro estava diretamente interligado aos movimentos das mãos realizados no sonho. Em tese, o órgão reagiu ao estímulo como se a pessoa estivesse mexendo os membros enquanto acordada.
“O que a nossa pesquisa sugere é que os sonhos não são representados como cenas visuais, a exemplo do que ocorre quando assistimos a um filme. O ato de sonhar envolve o corpo como um todo”, explica Dresler.
O estudo alemão foi publicado no periódico Current Biology e a expectativa dos neurocientistas é repetir os experimentos com outros sonhadores lúcidos. A ideia do grupo é tentar descobrir como o cérebro responde a sonhos que envolvam movimentos complexos, como andar, falar ou até mesmo voar.
- O que já se sabia sobre o assunto
Neurocientista Sidarta Ribeiro (Foto: Divulgação)
Para o neurocientista Sidarta Ribeiro, do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, o estudo alemão é de grande importância para a comunidade. De acordo com Ribeiro, esta foi a primeira vez que um grupo de pesquisa conseguiu registrar através de imagens as atividades cerebrais durante o sonho. “É difícil uma pessoa conseguir dormir dentro de um aparelho de ressonância magnética para que possamos analisar sua atividade cerebral”, afirmou o especialista. “Essa é uma das razões pela qual existem poucos estudos sobre o assunto publicados em todo o mundo.”
Segundo o acadêmico, só o fato dos especialistas terem conseguido analisar o comportamento de um sonhador lúcido já representa um avanço científico. Essa ativação equivalente nos dois estados (sonhando e acordado) já foi testemunhada no sono, mas nunca comprovada durante os sonhos.
O que é um sonhador lúdico  - O brasileiro explica ainda que o sonho lúcido é uma situação na qual as pessoas têm total controle da situação. “Quase todo mundo já experimentou, especialmente pela manhã ou no cochilo da tarde”, conta. “Poucas pessoas, contudo, conseguem intervir nas atividades realizadas durante esse estado, embora essa capacidade possa ser aprimorada a partir de treinos, como já acontece na yoga tibetana.”
No futuro, prevê o especialista, será possível treinar uma atividade – jogar uma bolinha de papel no cesto de lixo, por exemplo – durante um sonho lúcido e perceber uma melhora significativa em sua execução quando acordado.
Especialista: Sidarta Ribeiro, professor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Envolvimento com o assunto: Considerado um dos mais importantes neurocientistas do Brasil, Ribeiro é PhD pela Universidade de Rockefeller e pós-doutor pela Universidade de Duke. Atua nos seguintes temas: sono, sonho e memória, entre outros.

- Conclusão
O estudo conduzido por Martin Dresler e Michael Czisch, na Alemanha, é importante para os cientistas, já que os ajuda a entender melhor o significado dos sonhos. Se no futuro for possível utilizar o sono para simular atividades que serão executadas quando acordados, estaremos vivendo a realidade proposta pelos irmãos Larry e Andy Wachowski no filme de ficção-científicaMatrix.
(Por Renata Honorato)

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Alzheimer se propaga de uma zona a outra do cérebro como uma infecção

O mal de Alzheimer se propagaria de uma região a outra do cérebro através dos circuitos cerebrais, segundo pesquisas feitas em ratos nos Estados Unidos e publicadas na última quarta-feira (1º) , que podem abrir caminho para tratamentos para os humanos.
Este estudo, divulgado on-line pela revista PloS One, confirma uma nova hipótese de evolução do Alzheimer, segundo a qual esta doença se desenvolve um pouco como se fosse uma infecção.
Mas neste caso não se trataria de um agente infeccioso, e sim de uma proteína anormal chamada de tau cuja agregação sob a forma de um filamento explode e destrói progressivamente o conjunto das células nervosas ou neurônios.
Esta descoberta sugere que bloquear este processo cedo pode impedir a propagação desta doença devastadora e incurável.
"Pesquisas anteriores que foram realizadas com IRM (imagens por ressonância magnética) sobre humanos já revelaram este tipo de propagação da doença", ressaltou o médico Scott Small, professor de neurologia da faculdade de medicina da Universidade de Columbia em Nova York, coautor deste estudo.
"Mas estas diferentes pesquisas não permitiam mostrar com certeza que o Alzheimer se propaga diretamente de uma região do cérebro a outra", disse Small em um comunicado.
Para fazê-lo, estes pesquisadores desenvolveram ratos transgênicos portadores do gene que produz uma forma anormal da proteína humana tau no córtex entorrinal, localizado na parte superior do lóbulo temporal do cérebro.
Os cérebros destes ratos foram analisados em diferentes momentos durante um período de 22 meses para estabelecer um mapa da progressão da proteína tau.
Os pesquisadores comprovaram que, à medida que estes ratos envelheciam, a proteína se propagava ao longo de uma passagem anatômica desde o córtex entorrinal, importante para a memória, até o hipocampo, e dali ao neocórtex.
"Esta progressão é muito similar a que nós vemos nos primeiros estágios do mal de Alzheimer entre os humanos", explicou a médica Karen Duff, professora de patologia em psiquiatria na faculdade de medicina da Universidade de Columbia, principal autora desta pesquisa.
Estes estudos também encontraram indicações que permitem pensar que a proteína tau se desloca de um neurônio a outro através das sinapses, tipo de vínculo entre as células cerebrais que elas utilizam para se comunicar entre si.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Fazendo o cérebro crescer

Pessoas com grande capacidade de concentração têm maior volume cerebral

©shutterstock
Pesquisas já comprovaram que a meditação ajuda a diminuir a ansiedade e o limiar da dor – e, em alguns casos, é crucial para atingir esse resultado. E traz ainda duas enormes vantagens: a pessoa ganha autonomia para buscar o próprio bem-estar e não precisa fazer grande investimento financeiro para isso.

Agora, estudiosos da Universidade da Califórnia em Los Angeles descobriram os benefícios da prática para a anatomia cerebral. Eles observaram que áreas como hipocampo, córtex orbitofrontal, tálamo e giro temporal inferior (todas associadas à regulação das emoções) de pessoas que tinham o hábito de meditar entre 10 e 90 minutos por dia há pelo menos quatro anos eram maiores em comparação às mesmas regiões de participantes do grupo-controle que não meditavam.

Imagens obtidas por ressonância magnética funcional (FRM) indicaram que esse volume maior se deve à maior quantidade de substância cinzenta, onde se concentram os corpos celulares dos neurônios (origem dos impulsos nervosos), diferentemente da substância branca, na qual predominam os axônios (os prolongamentos por onde viajam as informações até encontrar outro neurônio). Segundo os autores do estudo, publicado no periódico NeuroImag, esses resultados parecem oferecer uma pista importante sobre a extraordinária capacidade dos adeptos da meditação de controlar as emoções e responder melhor aos estímulos estressores do cotidiano.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Aumente o poder do seu cérebro John J. Medina


Se você quer melhorar sua qualidade de vida e seu desempenho no trabalho, nos estudos e de forma geral, a ciência recomenda: saiba um pouco mais sobre o cérebro. Não é nada tão complicado. Este livro e o divertido DVD que o acompanha apresentam 12 regras simples sobre o funcionamento da mente que vão ajudar você a aprimorar de forma significativa sua capacidade cognitiva.
Você sabia que os exercícios físicos beneficiam o cérebro? Ou que o sono e o estresse têm um grande efeito sobre ele? E que, ao contrário do que se diz, fazer várias coisas ao mesmo tempo não dá certo? Já se descobriu também que podemos melhorar a memória em qualquer idade e que há mesmo diferenças entre o cérebro do homem e o da mulher.
Aqui, o biólogo molecular John Medina fornece sugestões de como usar esses conhecimentos no dia a dia com o máximo de simplicidade e eficiência. Aplicando o que ele chama de as Regras do Cérebro, você descobrirá o que evitar e o que fazer para se sair muito bem nos mais variados tipos de atividades.
Muitos dos nossos hábitos contrariam essas regras. Dirigimos e falamos ao celular ao mesmo tempo, criamos ambientes de trabalho estressantes e adotamos métodos de aprendizado improdutivos. Com um estilo leve e bem-humorado, o Dr. Medina ilustra os 12 conceitos com alguns dos casos mais fascinantes já estudados pela neurociência.
Atividade física – Regra nº 1: Os exercícios aumentam o poder do cérebro
Sobrevivência – Regra nº 2: O cérebro também evoluiu
Conexões – Regra nº 3: Todo cérebro tem conexões específicas
Atenção – Regra nº 4: Ninguém presta atenção em coisas chatas
Memória de curto prazo – Regra nº 5: Repita para se lembrar
Memória de longo prazo – Regra nº 6: Lembre-se para repetir
Sono – Regra nº 7: Durma bem, pense bem
Estresse – Regra nº 8: Cérebros estressados não aprendem do mesmo modo
Integração sensorial – Regra nº 9: Estimule mais sentidos ao mesmo tempo
Visão – Regra nº 10: A visão se sobrepõe aos outros sentidos
Diferenças entre os sexos – Regra nº 11: O homem e a mulher têm cérebros diferentes
Exploração – Regra nº 12: Somos grandes exploradores naturais
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Neste livro, você vai compreender como o cérebro realmente funciona – e como aproveitá-lo ao máximo.
O Dr. John Medina apresenta 12 regras relacionadas ao cérebro. Conheça os dados científicos que fundamentam cada uma delas e descubra como usá-las no dia a dia, em especial no ambiente de trabalho e na escola.
Veja algumas das ideias e dicas reunidas aqui:
• A atividade física melhora a cognição. Além disso, bastam duas sessões de exercício aeróbico por semana para reduzir à metade o risco de demência generalizada e em 60% a probabilidade de mal de Alzheimer.
• A privação de sono afeta a memória e o raciocínio. E mais: por volta das três horas da tarde, todos nós sentimos sono. Entramos na chamada “zona da soneca”. Para que seu desempenho não seja afetado, tire um cochilo.
• A plateia para de prestar atenção depois de 10 minutos - reacenda o interesse dela inserindo elementos ricos em emoções.
• Para se recordar melhor de uma informação, reproduza o ambiente em que você estava quando foi exposto a ela pela primeira vez.
• Se quiser tornar a memória de longo prazo mais confiável, incorpore novos dados de maneira gradual e repita-os em intervalos específicos.
• O pior tipo de estresse é a sensação de que não temos controle sobre o problema. Evite-o, pois ele prejudica a capacidade de aprendizado e de lembrança.
• Assimile informações com mais facilidade estimulando vários sentidos ao mesmo tempo.
• O melhor modo de aprender e lembrar é por meio de figuras, e não de palavras escritas ou faladas.
• Como algumas partes do cérebro adulto permanecem maleáveis, podemos criar neurônios e aprender coisas novas durante toda a vida.
O DVD
O DVD incluído neste livro é uma animada introdução às 12 Regras do Cérebro. Você verá como o Dr. Medina sabe transformar a ciência em algo divertido e acessível. Assista-o antes de iniciar a leitura. Entre as suas atrações estão:
• Breves clipes das 12 Regras do Cérebro
• Vídeos extras para profissionais da áreada educação e líderes empresariais
• Vídeos extras sobre o sono e o mapeamento cerebral

terça-feira, 3 de janeiro de 2012